Ser mãe no exterior

Este é mais um daqueles posts em que tento colocar em palavras a montanha-russa de sentimentos que a maternidade despertou em mim. Abro meu coração pra vocês e exponho a realidade – bem do meu jeitinho “sinceriane” de ser, rs! Pois desde que compartilhei a decisão de parar de trabalhar pra cuidar da Annalise, ouvi de várias pessoas que sou “sortuda” por ficar em casa com a minha filha. Seria mesmo sorte?

Quem pensa assim se esquece de que eu moro nos Estados Unidos e não tenho NINGUÉM para me ajudar. O marido fica fora o dia todo (e não rola o esquema home office). Sou eu e a Lise, faça chuva ou faça sol. Pra mim não existe a opção de “não dar conta”. Lembrando que a tarefa da mãe “dona de casa” não se resume a cuidar do filho. O ambiente precisa estar em ordem em prol do bem-estar da criança, as roupas lavadas/passadas/guardadas, a cama arrumada, a louça limpa – tipo agora: enquanto ela tira uma soneca, terminei de lavar os banheiros e sentei para escrever este post rapidinho. 

Então, definitivamente, eu não me considero privilegiada por ter deixado o trabalho em prol da minha filha. Justamente pela falta do emprego não dá pra contratar babá ou faxineira – é um luxo que não podemos bancar. Outras pessoas (inclusive das nossas famílias) já chegaram a me olhar torto/criticar porque o marido divide comigo a faxina no final de semana. Aí eu questiono: a casa é de quem? Quem suja? Somente eu? Por que então só eu tenho que limpar? Acho um absurdo e invasivo este tipo de comentário – como se eu estivesse escravizando meu próprio marido! Tem horas que perco a paciência e respondo à altura – quem sabe as pessoas se tocam, né?! 

O engraçado é que ninguém vem aqui pra me dar uma mão – seja com a Lise ou com a casa. Às vezes eu só queria alguém que pudesse carregá-la um pouco quando ela quer colo (e aliviar minhas costas/braços doloridos). Ou para brincar. Ou fazê-la dormir. 

Pra vocês terem ideia, a primeira vez que fiquei longe da minha filha por mais de 4 horas foi recentemente (depois de 6 meses), quando fui fazer escova progressiva no cabelo. Aliás, um dos principais motivos que influenciaram na decisão do alisamento foi justamente a praticidade de lavar e secar, já que com bebê não sobra muito tempo. Mas aí eu tive que pensar em toda uma logística, pois a cabeleireira brasileira mora em outra cidade, a 1h de distância da minha casa. Marquei num sábado, pois assim o marido poderia olhar a nossa filha. Escolhi um horário próximo à soneca dela para facilitar e contei com a colaboração de uma amiga super querida, que deixou tanto o Victor quanto a Lise ficarem na casa dela (que é na mesma cidade da cabeleireira) enquanto eu estava fora. Foi um desafio orquestrar tudo (e nem saiu conforme o planejado), mas deu certo. 

Agora estou ensaiando marcar uma consulta com dermatologista, mas só de pensar que terei que levar a Lise comigo e ela pode reclamar/ chorar durante o atendimento e não conseguirei prestar atenção no médico eu já desisto e vou empurrando com a barriga. 

Então, a meu ver, “sortuda” mesmo é a mãe que tem familiares por perto pra ajudar – nem que seja de vez em quando! Acreditem: faz MUITA falta não ter essa rede de apoio, já que em alguns momentos só podemos pedir este favor a alguém próximo. E é triste criar a Lise longe da minha mãe, principalmente! Ela vai crescer sem o convívio com a avó (isso sem falar nos tios, primos, bisavôs, etc.), vendo todos apenas através de uma tela de celular. Não sei quantas vezes os encontros serão pessoalmente – e isso dói no meu coração. Admito que, mais do que nunca, é preciso coragem pra encarar a distância do Brasil e a solidão de viver no exterior agora que tenho uma filha.

Porém, a gente não volta a morar no Brasil porque o emprego do marido está aqui e, no fundo, sabemos que nossa americaninha terá uma melhor qualidade de vida se continuarmos nos EUA. Temos segurança e boas escolas, além da esperança por um futuro melhor pra ela. Então, colocando na balança, as vantagens ainda predominam. Mas que é difícil é! Por isso, da próxima vez que vierem me falar que sou sortuda por não trabalhar (como se eu fosse uma madame), vou mandar o link deste post! Quem sabe a pessoa passa a compreender o outro lado da moeda, né?! #ficaadica

Comentários

  1. Thais França01/06/2019 07:59

    Sensacional, Camila! Vc não é sortuda é muito corajosa! Fracas não têm vez nessa aventura que é a vida de vcs 3 aí! Têm toda minha admiração! Beijos

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    1. Obrigada pela força, Thais! No fundo eu tenho orgulho de mim e da minha jornada - mas isso não torna a tarefa menos cansativa, kkkkk! Um beijo enorme pra você, querida!

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  2. Camila, eu moro longe da família e não tenho rede de apoio. Sei como é dureza! nha filha tem 3 anos e até hj eu meu marido nunca mais jantamos fora só nós dois. È muito cansativo cuidar de um filho pequeno e da casa. Admiro vc. abc.

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    1. Olá, Chris! Hahaha, jantar eu e o marido somente me soa como algo impossível, rs! Nunca contratei uma babá porque também acho um gasto desnecessário - ainda mais agora que não estou trabalhando! Então minha vida é cuidar da Lise, faça chuva ou faça sol, e levá-la conosco pra onde formos! E prestes a completar 1 ano, eu percebo o quanto realmente uma rede de apoio faz falta (eu, com ctz, estaria bem menos exausta, rsrs)! Beijos e obrigada pelo comentário =)

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